O Tigre Branco, de Aravind Adiga

Após a leitura de A Canção de Kali, de Dan Simmons, não esperava ler outro livro que apresentasse a Índia como um país negro, imundo, selvagem e violento. Pensei que os sentimentos maus que desenvolvi em relação ao país chegavam para o resto da vida. Então apareceu no Boockmooch o livro O Tigre Branco, vencedor do Prémio Man Booker de 2008. Pedi e ao fim de algum tempo resolvi experimentar ler o início. Fiquei rendida à escrita e acabei por lê-lo.

Neste livro, Balram Halwai narra a sua história através de cartas destinadas ao primeiro-ministro chinês, iniciadas após notícia da sua ida à Índia. O autor descreve a sua ascensão de aldeão muito pobre a empresário, desde a sua infância passada na Índia rural – que apelida de “escuridão”. Um “Tigre Branco”, como se apelida, que não permitiu que a sua saída precoce de um sistema de ensino medíocre o deixasse na “escuridão”.

Esta é uma história de corrupção, escravidão, pobreza e criminalidade, em que Aravind Adiga relata a realidade de muitos indianos, numa época de grandes mudanças. O campo é apresentado como um local de injustiças brutais e de muita corrupção, onde os pobres são vítimas dos ricos. A cidade começa por ser apresentada como a “luz”, mas os relatos vão escurecendo o ambiente à medida que o autor vai descrevendo injustiças e actos de corrupção.

No fim, o autor mostra totalmente a personalidade do protagonista. Descobrimos que não é apenas mais uma vítima, é um homem que nasceu e viveu pobre, nessa Índia “escura” e quando finalmente viu a “luz” foi como pobre. Tendo convivido de perto com os ricos, a sua abundância e a sua crueldade. É o culminar perfeito de um romance brilhante. Embora não seja propriamente uma leitura agradável, devido à elevada qualidade com que é descrita a realidade.

Ainda os saldos

 

Ainda não recebi o livro que encomendei à Zéfiro Edições e já gastei mais alguns euros nos saldos da Editorial Presença, no momento com uma selecção de livros a 3,99 euros. Felizmente, as campanhas da Bertrand e da Fnac não têm nenhum livro que me interesse.

Livros nos média – 43

Em vários meios de comunicação, é costume começar-se o ano com selecções de livros referentes às leituras do ano anterior. Começando pelo que é nacional, não podia deixar de fazer referência às listas de livros de 2011 de José Mário SilvaSara Figueiredo Costa, Eduardo Pitta, Carla Maia de Almeida e do suplemento cultural Ípsilon. Passando para o plano internacional, indico as do Telegraph, do Guardian, do New York Times e do blogue de fantasia e ficção científica io9

Aproveito também para recomendar a leitura do balanço de 2011 de Francisco Vale, que apresenta um resumo sumarento sobre acontecimentos relativos a editores, críticos e autores.

Segundo o P3, a McDonalds vai distribuir milhões de livros do escritor Michael Morpurgo no Reino Unido, bem como  fantoches. Campanha semelhante a uma outra realizada  na Suécia. Bem sei que é marketing, mas do bom. Para quando uma iniciativa idêntica em Portugal?

De livros de fantasia como os das séries O Senhor dos Anéis, As Crónicas de Gele o Fogo, As Crónicas de Narnia, O Ciclo de Terramar e Harry Potter, podem ser extraídas diversas normas sobre magia. Autores do blogue io9 investigaram e construiram uma tabela com algumas dessas normas, a qual apresenta informação sintétiva e clara, constituindo um bom auxiliar para fãs desejosos de compreender melhor a magia presente nos seus livros favoritos.

Dia de Reis nas livrarias Assírio & Alvim

Saldos

A Publicações Europa-América e a Zéfiro Edições aderiram à época de saldos, com descontos simpáticos. Como andava há muito tempo à espera de uma oportunidade para adquirir alguns livros do Jean-Louis Fetjaine por um preço acessível, bem como A Conspiração dos Abandonados de António Macedo, já desgracei o plano de poupança deste mês.

Livros nos média – 42

Como seria de esperar, no primeiro semestre de 2011 os portugueses compraram menos livros do que no de 2010. Sendo provável que em 2012 ainda comprem menos, devido à implementação de medidas económicas que irão ter impacto negativo nas economias familiares. O que justifica a preocupação da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) com o futuro das livrarias, uma vez que a crise económica levará os consumidores a comprar livros nos locais onde os preços sejam mais baixos, nomeadamente hipermercados, alfarrabistas e Internet.

De acordo com o Tek, o grupo editorial Leya lançou uma versão mobile da sua livraria Mediabooks, para utilização a partir de equipamentos móveis com acesso à Internet. Depois de aceder a www.mediabooks.com, basta selecionar a versão mobile.

Prémio Goncourt para o escritor e professor de biologia Alexis Jenni, pelo seu romance L’Art français de la guerre. Mais informação no P3.

A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) organizou o I Congresso do Livro, que reuniu editores, livreiros e agentes literários nos Açores, em Outubro passado. A jornalista Isabel Coutinho, escreveu no Público sobre as conclusões do evento. Uma das quais é a necessidade de alteração da legislação e sua adequação à defesa dos direitos dos autores e dos editores, o que está em grande parte relacionado com a comercialização de e-books. Também se chegou à conclusão de que é necessário preservar as livrarias independentes. Um bom desafio, pela necessidade de colaboração entre  editores e livreiros, tanto no planeamento de soluções como na realização de acções. Algo que acontece pouco.

Vários top 10 de livros de Fantasia e Ficção Científica, no sítio BestSFBooks. São organizados com base em doze prémios literários, nomeadamente o Prémio Hugo, o Nebula e os Prémios Locus.

Fórum Fantástico 2011

A edição de 2011 do Fórum Fantástico vai realizar-se na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras (Lisboa), de 18 a 20 de Novembro. O programa já pode ser consultado no blogue do evento.  Cartaz da autoria de Pedro Marques.

Destaco a programação dos dias 18 e 19 de Novembro, principalmente os painéis “Literatura Fantástica Portuguesa” e ”Ensinar Ficção Científica“, bem como  a sessão ”À conversa com Félix J. Palma“. Pelo interesse nos temas e as pessoas convidadas. Se não surgir nenhum contratempo, lá estarei no dia 18.

Man Booker Prize 2011

À quarta é de vez. O escritor britânico Julian Barnes, autor das obras  Arthur & George e Inglaterra, Inglaterra, venceu o Man Booker Prize 2011 com o romance The Sense of an Ending. Segundo o Público, o livro será publicado em Portugal pela Quetzal.

Livros nos média – 41

O Prémio Nobel da Literatura de 2011 é o poeta sueco Tomas Tranströmer. Completamente desconhecido por mim e muitos outros portugueses. Maria do Rosário Pedreira explica porquê.

Uma boa notícia no meio de muitas más, o IVA aplicado aos livros não vai aumentar, por agora, mantendo-se nos 6%.

Em 2011 haverá Fórum Fantástico, de 18 a 20 de Novembro, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro em Telheiras. Eis o cartaz. Este, possivelmente, será o ano em que irei assistir ao evento.

Temos prémio. O romance O teu rosto será o último, do português João Ricardo Pedro, venceu o Prémio LeYa 2011.

No sítio Review, Harold Augenbraum descreve 44 livros premiados com o Prémio Man Booker com apenas 25 palavras por cada um. Um bom exemplo de como se pode dizer muito com poucas palavras.

Theoria

A Cavalo de Ferro Editores lançou a Theoria, uma nova marca editorial que irá dedicar-se fundamentalmente à  não-ficção de qualidade, não académica, mas também publicará ficção. O pilar central será a construção de um catálogo com prestigiados autores contemporâneos.

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