O Tigre Branco, de Aravind Adiga
25/01/2012 Deixe um Comentário
Após a leitura de A Canção de Kali, de Dan Simmons, não esperava ler outro livro que apresentasse a Índia como um país negro, imundo, selvagem e violento. Pensei que os sentimentos maus que desenvolvi em relação ao país chegavam para o resto da vida. Então apareceu no Boockmooch o livro O Tigre Branco, vencedor do Prémio Man Booker de 2008. Pedi e ao fim de algum tempo resolvi experimentar ler o início. Fiquei rendida à escrita e acabei por lê-lo.
Neste livro, Balram Halwai narra a sua história através de cartas destinadas ao primeiro-ministro chinês, iniciadas após notícia da sua ida à Índia. O autor descreve a sua ascensão de aldeão muito pobre a empresário, desde a sua infância passada na Índia rural – que apelida de “escuridão”. Um “Tigre Branco”, como se apelida, que não permitiu que a sua saída precoce de um sistema de ensino medíocre o deixasse na “escuridão”.
Esta é uma história de corrupção, escravidão, pobreza e criminalidade, em que Aravind Adiga relata a realidade de muitos indianos, numa época de grandes mudanças. O campo é apresentado como um local de injustiças brutais e de muita corrupção, onde os pobres são vítimas dos ricos. A cidade começa por ser apresentada como a “luz”, mas os relatos vão escurecendo o ambiente à medida que o autor vai descrevendo injustiças e actos de corrupção.
No fim, o autor mostra totalmente a personalidade do protagonista. Descobrimos que não é apenas mais uma vítima, é um homem que nasceu e viveu pobre, nessa Índia “escura” e quando finalmente viu a “luz” foi como pobre. Tendo convivido de perto com os ricos, a sua abundância e a sua crueldade. É o culminar perfeito de um romance brilhante. Embora não seja propriamente uma leitura agradável, devido à elevada qualidade com que é descrita a realidade.









